6 Maneiras que a Eucaristia Comunica Universalmente Hoje

Na quinta-feira da Semana Santa, Jesus celebrou a Páscoa com seus discípulos onde instituiu a Eucaristia como a celebração da nova aliança de Deus com o seu povo. Através da ceia, o Deus triúno oferece hospitalidade para com nós estranhos por meio do seu amor sacrificial. Vemos que este ato de hospitalidade através da Eucaristia então se torna uma proclamação do intento missional de Deus para o mundo. Deus nos chama para uma aliança com ele e faz provisão para a nossa necessidade. Nesta veia proclamatória, aqui vão seis maneiras pela qual a Eucaristia comunica universalmente à todos hoje.

Primeiramente, vemos que a Eucaristia comunica o intento de Deus verbalmente. Na carta aos Coríntios, Paulo afirma que estava comunicando aos coríntios a mesma mensagem que recebera do Senhor Jesus (1Cor 11:23). No relato evangélico da ceia, vemos que Jesus não apenas agiu, como também comunicou verbalmente o significado da ceia. Paulo por sua parte proclamou o que ouviu de Cristo, e agora estava direcionando a igreja de Corinto à fazer o mesmo no mundo (v.26). Esta é talvez a maneira mais direta de comunicar o significado justificativo da Eucaristia. Comunicação verbal é direta e precisa por natureza. Palavras carregam o sentido e a Eucaristia então se torna um ato kerigmático. Ela precisa ser explicada e declarada e seu sentido verbal carrega peso de verdade. Ela é a proclamação da boa nova de que Cristo triunfou sobre a morte e pecado, assim mesmo reconciliando o mundo à Deus a si mesmo.

Em segundo lugar, vemos que a Eucaristia comunica artifatualmente. O adoração bíblia usa artefatos para que adoradores experimentem verdades e declarem espirituais invisíveis. No AT, o povo de Deus usava desde incenso à instrumentos no ato de adoração. No Novo Testamento, artefatos carregam peso de sentido como representações o eterno, que não quintessenciais nem si mesmos. Na ceia, Jesus apropria do pão e do vinho como artefatos representativos no significado profundo da Eucaristia. Paulo explica que degustar do pão e vinho em comunidade não é mera hospitalidade pelo prazer de comer (v.21). Pelo contrário, é um exercício refletivo que celebra a aliança de Deus com a igreja através da morte e ressurreição de Cristo (v. 24-25). O meio se torna a própria mensagem. O artefato é capaz de cruzar culturas e percepções e comunica quando palavras se tornam insuficientes.

Terceiro, o valor intrínseco da Eucaristia comunica cinésicamente. Cree-se que por volta de 80% da comunicação humana é não-verbal. Nós comunicamos constantemente através de uma linguagem corporal que envolve gestos e posturas. A Eucaristia nos convoca à um comportamento. Ela comunica de forma cinésica exigindo de seus participantes uma postura de auto-examinação (v.28). Essa não é apenas uma disposição da mente como também do corpo. Nossas vontades são submetidas à necessidade do próximo (v. 21). A verdadeira prática da hospitalidade missional nos chama à gestos de humildade e serviço. A ceia é o acolhimento do próximo que requere uma postura de aceitação e reciprocidade. No relato evangélico, vemos que Jesus comunica cinésicamente lavando os pés dos discípulos antes da ceia. Comportamentos e posturas corporais comunicam humildade e nos convoca ao serviço mútuo.

Em quarto e quinto lugar, a Eucaristia comunica através da visão, paladar e tato. Todos os nossos sentidos e faculdades estão envolvidos quando nos achegamos à mesa de Jesus. A ceia não é para ser apenas espiritualizada. Ao provarmos do copo, um experimenta tanto o amargo do sofrimento de Cristo quanto a doçura do perdão pelo seu sangue derramado. Ao mesmo tempo, somos convidados a provarmos do pão como o corpo por nós partido. Ao engajar os nossos sentidos, a Eucaristia aciona uma linguagem comum a todos os seres humanos. Ela produz uma reação básica e compartilhada por todos que agora nos faz entender que a redenção e reconciliação são os nutrientes que sustentam fielmente a comunidade de Cristo.

Por último, vemos que a Eucaristia comunica o intento missional de Deus através do tempo e espaço. A ceia cria uma cultura policrônica que nos chama à praticar o que é conhecido “igreja lenta”. Pela Eucaristia priorizamos o próximo ao invés de si. Ela vai contra as narrativas de consumo e auto-satisfação predominantes na nossa cultura hoje. Tarefas são reorganizadas em prol da pessoa. Ela promove tempo relacional, pois fala da aliança que temos com Deus e com um ao outro (v. 25). Ela nos chama para uma comunidade onde relacionamentos verdadeiros e duradouros são construídos. Para estarmos presentes no hoje e deixarmos a ansiedade do futuro aos pés de Jesus. A ceia nos força a parar e a priorizar pessoas ao invés de agendas pessoais. Ao mesmo tempo ela cria um espaço onde podemos experimentar do amor e da vida de Cristo (v. 33) em comunhão. Assim, a Eucaristia comunica através do tempo e do espaço estabelecendo verdades onde a vida oferecida por Cristo pode prosperar.

Como tudo isso em mente, vemos que a Eucaristia é um processo de comunicação verbal e não-verbal que proclama uma realidade redimida e reconciliada. Essa comunicação transpões barreiras linguísticas e culturais. A significância sacramental da ceia é provavelmente um dos “códigos” de comunicação de maior potencial que temos na nossa fé. Ao chegarmos no final desta Semana Santa, que possamos lembrar que o Evangelho é universal. Cristo morreu por judeus e gentios. Por aqueles que estão perto e distantes. Suas verdades são capazes de comunicar à todo ser humano. No final, a Eucaristia comunica que o Evangelho deve cruzar culturas e promover realidades onde somos reconciliados à Deus e ao próximo na Igreja de Cristo.

 

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