Organizações como Culturas

Toda organização possui uma cultura que é profundamente enraizada na experiência e condição humana. Em Reframing Organizations, Lee Bolman e Terrence Deal sugerem dois tipos de esquadros que servem para criar e reforçar uma cultura organizacional. O primeiro esquadro é o político. Ele não condiz apenas a governança corporativa, mas também a maneira de como indivíduos são encorajados a interagirem entre os diferences níveis da hierarquia organizacional. O segundo esquadro é o simbólico. Neste esquadro vemos como as histórias de conquista e derrota servem para ditar a cultura operacional. Essa histórias contribuem para a mitologia de uma organização, servindo de exemplo para os que estão presentes.

Bolman e Deal sugerem que organizações ao mesmo tempo possuem e são culturas. Organizações são como colônias vivas, formando o seu próprio sentido de ordem, valor e propósito. Nisso, cultura então se torna tanto um produto quanto um processo. Como produto, ela incorpora a sabedoria acumulada pela experiência. Como processo, ela é renovada e recriada à medida que novos membros aprendem os caminhos antigos e se tornam modelos para os demais. Produto e processo formam helix duplo da identidade genética de toda organização. A cultura organizacional opera através da maneira de como ela organiza sua política interna e externa juntamente com seu núcleo de competências. O entendimento cultural de uma organização serve para informar sobre como a tal é estruturada, como pessoas se relacionam interpessoalmente e em dinâmica de grupos, e como ela opera como uma arena política com questões de poder, conflito e coalizão. Em muitas maneiras, o entendimento cultural é o resultado as narrativas de ditam ação e valor, os quais dão vantagem na dinâmica de competição de mercado. É a integração do produto e do processo cultural que serve como um distintivo de valor.

A visão da cultural organizacional como produto e processo gera implicações para todo líder cristão. Por exemplo, eu sou pastor de uma igreja evangélica na Grécia, um país cujo 98% da população é ortodoxa. No meu contexto, evangelicalismo e ortodoxia formam uma realidade dialética não concordante. Ortodoxia grega é o resultado de 2 milênios de tradições e crenças. A própria palavra “Ortodoxia” significa “da crença certa”. Na ortodoxia, não há espaço para a cultura como processo. A identidade eclesiástica está no produto da sabedoria acumulada pela experiência. Não há lugar para eclesiologias inovadoras ou novas maneiras de “ser igreja”. Por outro lado, a realidade evangélica é altamente inovadora e contextual. Ela passa pelo contestante processo de renovo e adaptação. Sua identidade é contemporânea a e relevante. Onde o primeiro foca no produto final da crença, o último foca no processo da aplicação da fé no dia de hoje. Infelizmente, essa realidade cria uma dinâmica de opostos. Mas usando a ideia da cultura como produto e processo, um é capaz de pegar a tese da inovação missionária evangélica com a antítese dogmática ortodoxa e formam uma síntese missional.

A cultura eclesiástica é uma rede de significados que precisa tanto do produto quanto do processo. Ao meu ver, a igreja contemporânea muitas vezes busca ser tão relevante que esquece das suas memórias. Damos pouco valor ao sentido de lugar, história e tradição. Ortodoxia é rica em metáforas, tradições, costumes e outras maneiras importantes de comunicar significado. Uma síntese missional pode ressurgir na recordação de tais histórias na minha própria igreja evangélica. Por exemplo, posso recontar a história de Cirilo e Metódio, dois irmãos missionários que foram os principais responsáveis por levar o Evangelho ao mundo eslávico. Eles eram grandes pensadores inovadores. Cirilo é o inventor do Alfabeto Cirílico, que foi usado para comunicar o evangelho aos eslavos e é a base de muitas línguas no leste europeu hoje. O simples recontar de histórias ortodoxas dentro da realidade evangélica ajuda a criar uma síntese entrelaçada pela tradição e inovação. A cultura organizacional é tanto um produto quanto um processo. O líder efetivo é aquele que identifica as histórias da sua realidade como produto de riqueza cultural, ao mesmo tempo atentando-se ao processo que permite a criação de novas narrativas.

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