A Missiologia do Transporte Público

Alguma vez você já teve a experiência onde a Palavra de Deus simplesmente se abre diante de seus olhos? Eu nunca vou esquecer o dia em que eu estava sentado na parte traseira de um ônibus público em Atenas – após apenas uma temporada curta fazendo missões na Grécia – orando ao Senhor para que Ele me guiasse na missão que Ele havia me chamado para fazer.

Fui tomado de surpresa quando quase imediatamente após a minha oração, a Palavra em Ezequiel 37 começou a desabrochar na minha mente. Nela, o Espírito Santo me mostrou alguns passos cruciais na realização de Sua missão.

Então, aqui estão alguns passos Missiológicos cruciais aprendidos no fundo de um ônibus para o cumprimento de sua missão conforme encontramos em Ezequiel 37.

1. Missio Dei (missão de Deus) – Em Ezequiel 37:1, lemos: “A mão de Deus estava sobre mim, e ele me levou pelo Espírito do Senhor, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos.” O primeiro passo para completar a missão é entender que a própria missão pertence ao Senhor. A missão é intencionada por Deus, dependente de Deus e iniciada por Ele.

Missio Dei é o entendimento missiológico que não é a Igreja que tem uma missão, mas é a Missão de Deus que tem uma Igreja. No conceito de Missio Dei a Igreja de Cristo é um instrumento usado por Deus para alcançar e cumprir o seu propósito final, o estabelecimento do Reino de Deus e a redenção de todos os que crêem no Evangelho de Jesus Cristo.

Neste primeiro versículo vemos que Deus deu início a missão do profeta Ezequiel. A ida do profeta ao vale dos ossos secos foi pretendida e realizada por Deus. “Ele me levou pelo Espírito do Senhor, e me pôs no meio de um vale.” Na Missio Dei, Deus é quem envia. Ele chama e só Ele pode cumprir esse chamado (1Ts 5:24). Não cabe ao missionário escolher quando ser chamado e para onde ir, mas tudo começa em Deus, que também vai cumprir o chamado.

David Bosch, um missiólogo influente escreve: “Nossa missão não tem vida própria: só nas mãos do Deus do envio que ela pode verdadeiramente ser chamada de missão. E nada menos, dado que a iniciativa missionária vem de Deus somente… A missão é, assim, visto como um movimento de Deus para o mundo, a Igreja é vista como um instrumento para essa missão. Há uma igreja porque houve uma missão, não vice-versa. Participar da missão é participar do movimento do amor de Deus para com o mundo, já que Deus é uma fonte de envio e de amor. “

A tarefa missionária é um reflexo do caráter de Deus. O próprio Deus é um missionário, Jesus deixou a sua cultura no céu para viver em um contexto diferente, entre as pessoas de uma cultura diferente.

Aprendendo que Deus é o iniciador da Missão é o primeiro passo crucial rumo à comprimento a missão.

2. Contextualização – Em Ezequiel 37:2, lemos: “Ele me levou de um lado para o outro, e pude ver que era enorme o número de ossos no vale, e que os ossos estavam muito secos.” O 2 º passo crucial para completar a missão é a contextualização. Contextualização refere0-se a como o missionário identifica e se comunica com os da cultura estrangeira.

Vemos no versículo 2 que o profeta/missionário Ezequiel foi inserido  muito perto daqueles que ele iria ministrar. O profeta engajou a cultura e foi capaz de perceber detalhes muito particulares sobre aqueles que o rodeavam. Por exemplo, ele percebeu que os ossos “eram muito seco.” Só um missionário que leva tempo para construir relacionamentos pessoais pode observar certos detalhes na cultura alvo.

Na Contextualização, a cultura-alvo é aceita e os relacionamentos com os habitantes locais são cultivados. Os valores de estilo de vida e sociais trazidos de casa são restritos as coisas que não são ofensivas para os moradores locais, e até mesmo que as limitações físicas, culturais e linguísticas sejam aparentes, o objetivo é sempre a progredir.

A abordagem correta da cultura estrangeira pode ser o fator decisivo no esforço missionário. Ao longo dos anos temos visto a luta do Movimento Missionário com a tentativa de encontrar uma atitude certa de comportamento em missões. Mas recentemente, Antropologia Cultural nos fornece ferramentas para entender a nós mesmos e a cultura estrangeira num contexto missionário.

Ao longo da história o foco das missões mudou bastante, e nós aprendemos, através da contextualização, a relacionarmos com os habitantes locais sem infringir em sua cultura. Deus ama a diversidade cultural e o céu é um lugar para pessoas de todas as tribos, nações, povos e línguas.

Aprender a contextualizar o estilo de vida e a mensagem é o 2 º passo crucial para o cumprimento da missão.

3. Fé – Em Ezequiel 37:3, lemos: “Ele me perguntou:” Filho do homem, poderão viver estes ossos?” Eu disse:” Ó Soberano Senhor, só tú o sabes.” O 3 º passo crucial para o cumprimento da missão é o elemento da fé. Nesta etapa, vemos o profeta/missionário Ezequiel reconhecendo que somente Deus poderia reviver aquele vale de ossos secos.

Fé somente em Deus é fundamental no cumprimento da missão porque nos dá a mentalidade e compreensão de quem somos e de quem Deus é no contexto da missão. Através da fé e dependência em Deus, somos constantemente lembrados de que somos chamados como colaboradores da missão. Colaborar significa trabalhar em conjunto, neste caso, trabalhar em conjunto ao próprio Deus. Deus inicia a missão e nos chama a ter fé na obra que Ele está fazendo.

A missão de Deus será sempre maior do que as possibilidades filosóficas do que podemos alcançar. Somos chamados a tomar parte na vocação soberana (Filipenses 3:14) e reconhecer, como fez Ezequiel, que só Deus pode dar vida nova aos mortos. A missão é inútil sem o elemento da fé no poder de Deus.

Como missionários, é importante manter este passo na vanguarda do nosso planejamento estratégico para assegurar que a nossa visão é totalmente e exclusivamente dependente de Deus. Alguém uma vez disse que o sucesso da missão não deve ser medido por resultados quantitativos, mas sim pela fidelidade ao Senhor.

Ser dependente de Deus para tudo é o 3 º passo decisivo para o cumprimento da missão.

4. Declarar a Palavra – Em Ezequiel 37:4, lemos: “Então Ele me disse: Profetize a estes ossos diga-lhes: Ossos secos, ouçam a palavra de Deus.” Após entendermos a Missio de Deus, contextualizando as nossas vidas e sendo dependente do Senhor, ele nos chama para declarar a Sua Palavra.

A Palavra de Deus é um passo crucial pois ela é a própria vida para aqueles que estão espiritualmente mortos. A declaração da Palavra deve ser o foco principal de todos os esforços da missão, independentemente do orçamento, abordagem, ou localização geográfica. Somos lembrados na Grande Comissão que nossa missão é ensinar a Palavra, independentemente da forma como o fazemos.

Somente a Palavra de Deus tem o poder de avivar, curar e restaurar. É através da Palavra de Deus que o Reino de Deus é estabelecido e o Seu propósito é cumprido. Lemos em Mateus 4:23 que “Jesus pregou o Evangelho do Reino curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.” A verdade de Deus causa transformação quando ela é fielmente declarada. A declaração pode ser feita por diferentes meios, mas o missionário é chamado a comunicar a verdade da Palavra de Deus.

Foi somente depois que o profeta/missionário Ezequiel obedeceu o chamado de declarar a Palavra de que a mudança foi trazida para o campo missionário onde ele atuava.Declarar a Palavra de Deus é o 4 e último passo crucial para o cumprimento da missão.

Um missionário é um embaixador, ele é um arauto com a missão de levar a mensagem do amor de Deus para aqueles que não ouviram. Ele conscientiza-se de que é um instrumento e só uma parte de uma missão maior, então ele se esforça para identificar e comunicar-se com aqueles ao redor dele, em todo o tempo tendo a fé de que só Deus é capaz de produzir uma mudança através da Sua Palavra.

A Missiologia do Transporte Público é uma lição aprendida no meio do vale de ossos secos. É uma revelação de que “aquele que nos chama é fiel para cumprir.” 1Ts 5:24

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