A Razão de Ser da Lei – Parte 2

Estamos no meio de uma série de estudos baseada em Gálatas 3:19-29, onde estamos vendo quais são as razões para o uso da Lei de Moisés no contexto do Novo Testamento. Nós introduzimos o assunto enfatizando o papel da lei no plano de salvação. Depois disso, expusemos como a Lei serve para revelar a existência do pecado e também mostrar a justiça e santidade de Deus. Vejamos agora a segunda razão a Lei, nos conduzir à Cristo.

Em hebraico, a Lei (Tora) significa “apontar, mostrar a direção, o caminho.” John Wesley certa vez disse; “O segundo uso da Lei é levar o pecador a vida, levá-lo a Cristo para que ele viva. A lei é fiel no cumprimento dessas duas funções, ela atua como um guia severo. Toma-nos a força ao invés de nos atrair pelo amor. Ainda assim o amor é a fonte de tudo. É o Espírito do amor que através deste meio doloroso,rasga a confiança em nossa carne e nos deixa à mercê, e assim constrange o pecador, acima tudo a chorar na amargura de sua alma e gemer no fundo do seu coração, “eu deixo tudo de lado Senhor, eu estou condenado, mas o Senhor morreu por mim.”

Comentando Gálatas 3:23-29 John Stott escreve:. “Nós não podemos ir a Cristo para sermos justificados sem passar antes por Moisés para sermos condenados. Mas uma vez que formos para Moisés e reconhecer o nosso pecado, culpa e condenação, não devemos ficar lá. Devemos deixar que Moisés nos envie a Cristo.”

No versículo 24 vemos Paulo fazendo seguinte metáfora: Ele nos dá a Lei como um tutor ou guia. A palavra grega aqui é paidagogos, de onde nós tiramos a palavra para “tutor” ou “pedagogo”. Para os gálatas, a imagem apontava para alguém que estava encarregado de proteger a criança, levá-la à escola, assistir a sua conduta e até mesmo castigá-la. Mas, além da tarefa de monitoramento, o pedagogo possuía deveres disciplinares do tipo moral. A ideia de educação certamente não era o principal papel do “tutor”, e provavelmente não estava sequer presente na sua função. Porém enquanto o escrevo pedagogo levava a criança a ser educada, ele transferia o conhecimento moral para a criança, formando nela uma nova consciência.

Assim, a Lei também opera em nós, mostrando-nos os padrões de Deus e gera uma nova consciência de quem realmente somos à luz de Sua Santidade. Martinho Lutero disse a respeito da Lei que; “Em sua verdadeira obra e propósito, a Lei humilha o homem e prepara-lo – se ele usa a lei corretamente – a desejar e buscar a graça.” Então, assim como o professor prepara uma criança para a vida, a Lei de Deus prepara o coração do pecador para a boa notícia do Evangelho. Sem esse trabalho preparatório, o coração permanece endurecido e ele se torna um forte candidato a se tornar um falso convertido.

Concluímos então que assim como a Lei serve para revelar a existência do pecado, ela também deve conduzir-nos para a graça de Cristo. Como um guia para a justiça, se usarmos a Lei sem essa segunda razão, continuamos a sermos condenados sem nunca sermos justificados por meio do sacrifício salvífico de Cristo. A lei diz-nos que estamos depravados de justiça, ao mesmo tempo exaltando a justiça imputada a nós por Jesus na cruz. Esta é a segunda “Razão de Ser da Lei” no Novo Testamento.

Fique atento para a terceira e última parte da nossa série!

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