A Razão de Ser da Lei – Parte 3

Chegamos na terceira e última parte do nosso estudo sobre Gálatas 3:19-29 onde estamos analisando quais são as principais razões para a Lei de Moisés no contexto do Novo Testamento. Até agora vimos como a lei serve para revelar a existência do pecado e nos conduzir a Cristo, e agora veremos a terceira razão, como Cristo nos liberta da Lei.

A Lei nos coloca dentro de uma prisão, mostra-nos que estamos presos pelas cadeias do pecado e condenados à morte eterna. Mas Cristo é a chave que abre esta prisão, que tira as cadeias para que possamos andar em Sua luz para sempre. A Lei nos mostra que somos devedores e injustos.

Para ilustrar este ponto imagine a seguinte situação: Eu venho a você e digo: “Eu tenho uma boa notícia para você. Alguém pagou uma multa de R$25.000 em seu favor.” Você provavelmente iria me responder de uma forma muito cínica; “o que você está falando? Eu não tenho multa R$25.000 para pagar!” Sua reação seria compreensível. Mas se eu digo: “um policial pegou você no radar indo a mais de 140 km numa área designada para uma convenção das crianças cegas. Você ignorou 10 sinais claros indicando que a velocidade máxima era de 20 km. A multa é de R $ 25.000.” Enquanto você estava aterrorizado e chocado por causa da culpa pelo que tinha feito, eu disse, “a Lei estava prestes a condená-lo quando alguém desconhecido veio e pagou a multa para você. Você tem muita sorte.” Agora o cenário é diferente, e da mesma forma que o sacrifício de Cristo nos liberta do julgamento do pecado.

A lei não tem o poder de condenar aqueles que se aproximam de Cristo. Então, Paulo escreve em Colossenses 2:13-14: “Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz.” Já vimos como a Lei traz o conhecimento do pecado e como em seu papel e pedagogo, a Lei nos conduz a Cristo e ali desvanece.

É por isso que Paulo usa uma metáfora em Gálatas 3:27, onde ele diz: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo.” Neste versículo, Paulo faz alusão a certos costumes culturais romanos da época em que a mudança de vestuário indicava a maioridade de um jovem. Homens naquele tempo vestiam togas. Numa certa idade, um adolescente romano mudava a sua toga praetexta para a toga virilis, indicando que agora era um homem com todos os direitos de um cidadão. Até então ele estava sob as leis e regulamentos como uma criança na casa dos pais. Agora, porém, ele começa a desfrutar da independência de um cidadão adulto. Gregos e Romanos realizavam grandes celebrações nestas ocasiões e comemoravam com grandes reuniões familiares e rituais religiosos.

O batismo é um sinal que serve para ilustrar a transição da juventude para a vida adulta espiritual. Tal como acontecia com os romanos da época, estando sob a tutela de um pedagogo até atingir a maioridade, agora eles podiam exercer seus direitos de adultos. Assim, o cristão atinge a sua maioridade espiritual através do ato de batismo e não mais esta sob as normas da Lei, mas foi liberto pela graça de Cristo.

Sendo guiado pela lei até ser revestido de Cristo, o cristão torna-se livre da lei e agora desfruta da liberdade em Cristo. É nesta liberdade que temos comunhão com Deus, porque em Cristo fomos perdoados de nossos pecados contra ele. Através da cruz, podemos nos aproximar de Deus no perdão e graça. Então somos libertos, Cristo pagou nossa dívida, rasgou a dívida que foi escrita contra nós, pagou a multa por assim dizer. Limpou a nossa ficha, libertos por meio daquele que nos amou.

Desta forma, a lei que serviu para revelar a existência do pecado, finalmente, leva-nos para Aquele que pode nos libertar de sua condenação. Aprendamos então a usar a lei para levar outros a Cristo. Gerando verdadeiros convertidos, pessoas que agora estão conscientes da misericórdia e da graça de Deus. Acima de tudo, que possamos sempre lembrar que o Espírito do amor de Deus é a inspiração e a vida que permeia toda a Sua lei.

Assim concluímos nossa análise sobre a Lei no contexto do Novo Testamento.

Deus te abençoe!

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