Graça com Leite

 “Graça com Leite” refere-se às nossas tentativas carnais de adicionar um elemento humano às doutrinas Bíblicas que já são completas em si mesmas. Doutrinas como a da justificação, que é atribuída tão somente àquele que crê na obra de Cristo na cruz, não necessitam de ajustes ou aprimoramentos.

Encontramos o conceito da “Graça com Leite” ao lermos a carta do Apóstolo Paulo aos Gálatas. Nesta carta nos deparamos com o prélio de Paulo com a Igreja Gálata a respeito do desenvolvimento da sua espiritualidade. Para Paulo, os Gálatas haviam se desgarrado do caminho da graça pela fé, tentando consumar pela carne a santificação que havia começado pelo Espírito de Deus.

Como arauto da verdade, o Apóstolo leva-os a repensar a sua espiritualidade, chamando-os de volta às verdades estabelecidas quando eles primeiramente haviam crido do Evangelho. Para isso, Paulo indaga; “Gostaria de saber apenas uma coisa: foi pela prática da Lei que vocês receberam o Espírito, ou pela fé naquilo que ouviram?” (Gal 3:2).

Para Paulo, os gálatas haviam abandonado a justiça que vem pela fé em Cristo, pois agora procuravam aperfeiçoar-se por meio do esforço próprio, “observando dias especiais, meses, ocasiões específicas e anos” Gal 4:10. Vivendo desta forma, Paulo declara que eles haviam caído da graça, invalidando assim a promessa da salvação e sua posição como filhos e herdeiros de Deus.

Ao tentar “aprimorar a graça”, os crentes da Galícia haviam abandonado a justificação pela graça mediante a fé, colocando seu próprio “leite no café da graça” de Deus. Tendo sido salvos, batizados e feitos filhos de Deus pela graça somente, os gálatas tentaram aprimorar a sua espiritualidade adicionando algo de si mesmos à obra da cruz. Fazendo isto, Paulo declara que a morte de Cristo havia se tornado inútil para eles (Gal 2:20).

Paulo caracteriza a graça com leite dos gálatas como um falso evangelho (Gal 1:6). Uma invenção humana para promover a ostentação daqueles que a praticavam (Gal 1:10). Para Paulo, tal tipo de “graça com leite” apelava ao ego pessoal, promovendo uma justificação baseada na carne, que por si gerava orgulho, inveja, presunção e superioridade (Gal 5:15).

Não obstante, a realidade da igreja gálata ainda é evidente nos nossos dias. Para muitos, permanecer na essência da graça é um desafio, pois a graça de Deus não fornece justificativa à carne. Na graça pura não existe auto-merecimento, não há reconhecimento pessoal ou vanglória. Pois na graça somos feitos todos iguais; “não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gal 3:28).

Assim como para os gálatas, hoje Paulo nos chama a praticar uma espiritualidade Cristocêntrica baseada somente na obra da cruz de Cristo (Gal 2:19). Paulo nos encoraja a caminharmos na liberdade do Espírito, gerando do seu fruto e não dando ocasião à carne (Gal 5:16), alcançando a maturidade para obtermos a herança que nos é prometida.

Acima de tudo, Paulo nos chama a deixarmos de lado o jugo do legalismo humano, enfatizando que nossa condição como filhos de Deus é ratificada unicamente pelo Espírito (Gal 4:6). Temos hoje o privilégio de sermos chamados filhos de Deus, sendo guiados e selados por meio do Espírito Santo até que alcancemos a estatura do Varão Perfeito (Jesus). Paulo nos adverte a permanecermos na graça que nos salvou, deixando de lado todo legalismo carnal e não nos submetendo a qualquer outro jugo senão o de Cristo (Gal 2:5).

Panoramicamente, vemos que pureza da fé tem sido sempre a prioridade dos seguidores de Cristo no decorrer da história da igreja. As palavras de Paulo aos gálatas continuam ressoando o peso a sua verdade para os nosso tempo atual. Que possamos sempre prezar pela pureza da vida pela fé, orientada pela graça de Cristo Jesus.

Deus te abençoe!

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