Igreja Global e sua Responsabilidade Missionária

Você que acompanha este blog pode ter notado uma tendência nos últimos posts em repensar a natureza da igreja e fazer teologia a partir de uma perspectiva global. Este post continua nesta mesma sequência. Contudo, ao invés de repensar a natureza da igreja, gostaria de refletir sobre a importância do exercício da missão da Igreja através desta perspectiva global. Portanto, vou começar analisando algumas tendências recentes do crescimento do cristianismo e da missão, irei brevemente ressaltar o desafio presente e concluir com uma possível meta para o futuro.

Durante o último século o Cristianismo passou por uma mudança sísmica em sua centralidade. Um estudo recente do Centro para o Estudo do Cristianismo Global do Seminário Teológico Gordon Conwell nos Estados Unidos encontrou que em 1910 cerca de 80% de todos os cristãos do mundo viviam no Norte Global (Europa e América do Norte). A partir de 1970, cristãos poderiam ser encontrados em quase todas as nações do mundo, porém a sua distribuição ainda era desigual. Em 1970, o Sul Global (países em desenvolvimento), contava com 76% da população mundial porém apenas 43% de todos os cristãos. No entanto, em 2010 esta realidade começou a mudar. Hoje, 84% de toda a população mundial vive no Sul Global, e a igreja conta com 59% de toda a população. Estudiosos acreditam que esta tendência continuará a crescer. Em 2020, espera-se que cerca de 66% de todos os cristãos do mundo viverão no Sul Global, causando uma mudança na centralidade do exercício da missão e reflexão teológica.

O resultado deste estudo conclui que o cristianismo tem se tornado uma religião global. Congruentemente, a globalização do cristianismo também iniciou uma nova tendência missionária. Não é mais apenas a Europa e a América do Norte que enviam grandes números de missionários. O século 21 tem visto o envio internacional de missionários de todas as nações para quase todas as nações do mundo. Missões tornou-se de todo lugar para todo lugar. Este mesmo estudo do Gordon Conwell Seminary registra que das 10 nações que mais enviaram missionários em 2010, 3 eram do Sul Global: Brasil, Coréia do Sul e Índia. No top 20 incluem outras 6 nações; África do Sul, Filipinas, México, China, Colômbia e Nigéria. Estas estatísticas são encorajadoras para a igreja global que agora exerce sua missão de forma puramente global.

Missões não é mais uma iniciativa apenas dos países desenvolvidos. A globalização do exercício da missão ajuda o Movimento de Cristo a manter a sua natureza policêntrica. No entanto, esta tendência também ressalta a importância para unidade global em parceria missionária. Assim como o cristianismo tem experimentado crescimento, outras religiões globais como Islã e Budismo tem experimentado o mesmo. A “morte de Deus” prevista pela modernidade falhou em ser cumprida, e hoje o mundo tem se tornado cada vez mais religioso e pluralista.

É este pluralismo que apresenta significantes desafios para a missão da igreja. Em vista da globalização de outras religiões, uma responsabilidade global para missão e evangelismo sugere que a igreja global deve dedicar-se a apresentar todo o evangelho para todo o mundo. Missiólogos como Scott Moreau e Gary Corwin sugerem que as religiões globais não-cristãs apresentarão o maior desafio para a igreja no futuro imediato. Consequentemente, a solução requererá um conhecimento profundo de outras religiões, seguido por uma abordagem com respeito, humildade e advocacia. O maior desafio estará em acasalar os métodos missiológicos tradicionais das nações desenvolvidas com as abordagens emergentes das nações do Sul Global.

Este dilema já é bem presente hoje. Tome a igreja Assembléia de Deus por exemplo. Nos Estados Unidos, os seu número de membros chega a 3 milhões. Porém, somente no Brasil, a Assembléia de Deus conta com cerca de 16 milhões de adeptos. Essa mesma tendência segue em outros seguimentos, desde a igreja Católica Romana até outras denominações evangélicas mais populares. Na medida que países como Brasil, Coréia do Sul e Índia começarem a fazer maior parte do campo missionário, estruturas de poder e influência terão que adaptar-se às opiniões destes novos centros de envio missionário.

Missão é a expressão da identidade da igreja. No entanto, nossa esperança está no fato que a missão é Deus (missio Dei). Seu crescimento é a prioridade divina e continuará sendo assim até o retorno de Cristo. Fidelidade ao chamado missionário, seguido pela capacitação do poder do Espírito Santo, continuará sendo o fator decisivo no cumprimento da missão.

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