A Liderança que Ouve

Liderança começa com o ato de ouvir. Ouvir é no entanto um ato reflexivo que engaja com as muitas vozes à nossa volta. Essas vozes vem de uma variedade de fontes. Elas incluem a cultural em geral, uma organização e indivíduos com os quais o/a líder está em constante interação. Essas vozes não são apenas sons humanos. Ao melhor, elas são pistas que nos informam sobre o nosso passado, presente e principalmente como podemos trabalhar juntos para moldar o futuro. Liderança então começa com o ato de ouvir porque ouvir nos lidera à um maior autoconsciência e compromisso. Neste post, analisarei três maneiras pelas quais o ato de ouvir culmina em liderança e oferecer uma reflexão pessoal sobre como eu tenho praticado um modelo de liderança que escuta.

Um bom líder comunica bem e eficientemente. No entanto, o melhor líder é acima de tudo um receptor e aprendiz. Ao ouvir, o líder é capaz de promover interações significativas entre indivíduos que formam uma devida organização. Líderes gostam de ouvir à outros líderes e aprender de suas experiências. Mas talvez um dos maiores desafios para pessoas em liderança é aprender das vozes que vem de baixo. Num primeiro instante, o ato de escutar na prática de liderança envolve criar espaços onde pessoas engajam no processo de entender o presente e definir o futuro. É através desta reflexão que um líder é capaz de discernir como conectar os pontos entre informação e aplicação ao cumprir um devido propósito. Então, a liderança que ouve é aquela que dá voz aos seus liderados.

Em segundo lugar, o ato de ouvir descentraliza o papel da liderança e convida não líderes à ascensão. Ouvir torna-se proativo à medida que o líder trabalha para criar uma cultura de igualdade formada por uma visão e propósito compartilhados. Ao escutar, o líder prioriza outros acima de si e ao compartilhar da sua liderança o líder distribui responsabilidade e posse da visão. A Bíblia tem muito a nos ensinar neste ponto. Jesus rejeitou enfaticamente, no que diz respeito à sua comunidade de discípulos, as estruturas de dominação que são habituais na sociedade. Numa comunidade de irmãos, nenhum pai pode dominar. Isso não implica que autoridade e poder não possam existir dentro de uma organização. Mas, sim, significa que a autoridade deve derivar do serviço e da competência.

Em terceiro lugar, como o ato de ouvir ajuda uma organização a estar ciente de sua premissa ontológica. O propósito permanece quando procedimentos falham. E é o próprio ato de ouvir que também serve para definir a missão ao estabelecer o imperativo teleológico na realidade de uma organização. Ouvir é um ato de reflexão que, em última análise, leva-nos à implementação. Ouvir é cíclico. Reflexão e estudo por um lado, e envolvimento e ação por outro. Ouvir, portanto, serve como uma ferramenta para interpretar e definir a nossa realidade ao mesmo tempo que adaptamos à novos desafios. O que resulta é um processo constante de autoconsciência e reimaginação para um determinado tempo e lugar.

Ao refletir sobre as implicações do ouvir dentro da minha própria prática de liderança eu me torno humilde e otimista. Humilde porque me faz perceber as minhas falhas como um líder eclesiástico. Otimista no entanto, porque o conceito da liderança que ouve tem muito a contribuir para o meu papel atual. Durante os meus quinze líderes do ministério em tempo integral eu trabalhei em uma variedade de papéis e contextos. Um desses contextos foi a Grécia, onde passei os primeiros anos trabalhando interdenominacionalmente com diferentes igrejas locais e ministérios através de uma agência de missões. Meu trabalho era vasto e indefinido, mas isso me deu a chance de avaliar amplamente as condições através das quais outros líderes como eu realizaram sua missão. Meus relacionamentos eram amplamente horizontais com colegas líderes como eu enfrentando desafios semelhantes.

Depois de muitos anos trabalhando como parceiro e networker, aceitei uma posição como pastor de uma igreja multicultural nos arredores de Atenas. Meu trabalho de repente mudou de “ouvir líderes como eu” para falar com “laicos na minha igreja”. Durante esta mudança, ignorei a importância de ouvir os congregantes da minha igreja como agentes ativos na missão de Deus. Eu desconsiderei o fato de que os missionários verdadeiros estão em nossas igrejas locais e são pessoas comuns em quem o Espírito está gestando todos o futuro para o reino.

Mais do que um mero descuido, eu percebi que não havia criado um ambiente onde o ciclo de audição possa ocorrer. De muitas maneiras, a mudança de trabalhar diretamente com líderes para trabalhar com leigos alterou a forma como os vi como sujeitos na missão de Deus. A igreja é missionária. Isso significa que todo cristão é missionário. Com isso em mente, a consciência de minhas próprias práticas mal-intencionadas foi libertadora. Como mencionado anteriormente, pastores são líderes que primeiramente são comunicadores, e calar-se para ouvir talvez possa parecer fora de lugar. O ato de ouvir é acima de tudo capacitador. É quando lideramos através da escuta que incentivamos toda a igreja a levar todo o evangelho à todo o mundo.

Related Posts