O Segredo de Gideão – Parte 3

Os israelitas disseram a Gideão: “Reine sobre nós, você, seu filho e seu neto, pois você nos libertou das mãos de Midiã”. “Não reinarei sobre vocês”, respondeu-lhes Gideão, “nem meu filho reinará sobre vocês. O Senhor reinará sobre vocês. Juízes 8:22-23

Aqui no Carregando a Cruz estamos em meio à uma série de estudos sobre a vida de Gideão. Nesta série estamos analisando atitudes chaves que se tornaram o segredo para o sucesso ministerial deste juiz de Israel. Primeiramente vimos como a sua dependência em Deus serviu para colocá-lo numa posição para ser usado pelo Senhor. Em segundo lugar vimos como atos de obediência por parte de Gideão levou à libertação de Israel dos seus inimigos. Agora já no final do seu ministério, veremos o terceiro e último segredo para o sucesso de Gideão.

A consciência que apenas o Senhor era merecedor de glória e de louvor foi o terceiro segredo do sucesso ministerial e Gideão. Como é fácil para nós, pessoas que estão em posições de liderança, perdermos a consciência de que só Deus é o Senhor e só que Ele tem o poder para executar seus desígnios. Como é simples sermos tentados e enganados por esse “heroísmo” perdendo essa consciência de quem exatamente somos diante de Deus.

John Stott certa vez falou: “Todo pregador conhece a insidiosa tentação de vanglória a que somos expostos no púlpito. Estamos em posição de proeminência, acima da congregação, sendo objeto de seus olhos e ouvidos atentos.” Precisamos saber quem realmente somos diante de Deus e o que exatamente estamos fazendo. Como vimos anteriormente que com apenas 1% do exército disponível da época, de baixo do comando de Gideão, Deus libertou à Israel dos seus opressores.

Lemos aqui que o povo de Israel queria ser dominado por Gideão. A palavra “dominar” que se usa aqui é a mesma usada para “reinar”. Como seria fácil para Gideão  tornar-se o novo ditador de Israel. A autoridade para reinar é um dos argumentos mais usados pelo inimigo para nos tentar. Até na tentação de Jesus em Mateus 4, o diabo usou este argumento tentando persuadir a Jesus à adorar-lhe “oferecendo todos os reinos do mundo e a glória deles.” É fácil nos vangloriarmos do nosso ministério quando esquecemos que a Igreja pertence à Deus e que é Ele quem dá o crescimento.

Esta consciência é uma questão de identidade. Precisamos saber quem exatamente somos em Deus e não basear a nossa identidade naquilo que fazemos. A nossa alegria deve estar no que somos e não no que fazemos. Em Lucas 10, quando os 70 discípulos de Jesus regressaram à Ele alegres por terem expelido demônios de muitas pessoas o Senhor exortou no verso 20: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos vos submetem, e sim porque o vosso nome esta arrolado nos céus.”

Lembremos que aquilo que eu tenho ou que faço não dita aquilo que eu sou, mas aquilo que eu faço com o que tenho determina quem eu sou. Como filhos que somos, nossa identidade está ligada diretamente com a do Pai. Como todo seu poder infinito, Deus continua sendo um ser responsável. Existe um ditado inglês que diz o seguinte: “With great power comes great responsability, ou seja, com o grande poder vem também a grande responsabilidade.” Precisamos ser líderes responsáveis, conscientes de que em dependência à Deus precisamos ser obedientes à Ele.

Vivemos em uma sociedade pós-moderna. Sociedade marcada pelo individualismo e o egocentrismo, onde os princípios que vimos de dependência, obediência e consciência são quase uma mensagem contraditória. O ditado dos nossos dias tem sido aquele que afirma: “cada um por si e Deus por todos.” Não é difícil olhar a nossa volta e ver, até mesmo dentro da Igreja, pessoas que fazem de tudo para passar em cima de outros a fim de adquirir mais poder e autoridade. Líderes egocêntricos que buscam reconhecimento do seu povo.

Russell Shedd escreveu que: “Jesus ensinou diretamente e em parábolas que uma pessoa não deve procurar a recompensa em retorno dos investimentos do Reino, nesta vida.” Por isso amados, “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.”

Todo cristão é um ministro. Então que Deus te abençoe no desenvolvimento do seu ministério à medida que você expresse dependência, obediência e total consciência de que a glória pertence somente à Deus.

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