Os brancos deveriam se sentir culpados!

Os brancos deveriam realmente se sentir culpados. sarcasmo Não. Sério. Os brancos deveriam se sentir culpados porque, de muitas maneiras, esse é o pré-requisito para o cristianismo “de bem-estar” que predomina por aí. O cristianismo tem a ver com se sentir bem, não é?

Pense nisso. Temos igrejas que oferecem experiências de bem-estar chamadas “cultos de adoração”. Café de bem-estar, toca-aqui de bem-estar e, ah, sim, música de bem-estar. Não vamos nos esquecer da mensagem de bem-estar. Sabe, aquela que diz: “Jesus te ama”, “Jesus tem o melhor para você”, “Não desista”. Os 3 ingredientes para encerrar o fim de semana se sentindo bem e resistir ao pavor do começo de mais uma semana de trabalho. É verdade, mas não é toda a verdade.

Com tanto “bem-estar” por toda parte, é claro que os brancos deveriam se sentir culpados. Sinta-se mal antes de poder se sentir bem ou, melhor ainda, sinta-se mal antes de poder fazer o bem. Parece que fazemos igreja desse jeito, mas não é também assim que abordamos a missão?

Como pastor, missionário e teólogo, estou sempre atento às “questões”. Que “questões” enfrentamos hoje? Quais são as “questões” mais em alta na twittosfera? Qual é o meu problema com essas “questões”, e como posso fazer o meu protesto?

Eu tenho um problema com a culpa branca. Sabe, aquele tipo de culpa que nasce de um complexo de superioridade: você não tem o que eu tenho, então eu preciso fazer você ter o que eu tenho para não me sentir mais culpado por isso. Aliás, essa parte do “não me sentir mais culpado” é o “sentir-se bem” que vem depois da culpa.

O meu problema com a culpa branca é que ela é apenas catártica. No fim das contas, ela tem a ver com se sentir bem consigo mesmo e nada tem a ver com gerar mudança e transformar a realidade de alguém. Todo ativismo, portanto, tem a intenção de me purgar da culpa. Você sabe do que estou falando. Aquela vez em que você foi voluntário naquele projeto superlegal. Ou quando doou “o preço de um cafezinho” para aquela outra instituição de caridade da moda. Ou quando foi naquela viagem missionária de curto prazo para o México, ou para a África, ou sabe Deus para onde, construiu um muro, tirou fotos com crianças e se sentiu muito bem com isso.

Eu tenho problema com essas questões. Tenho problema com a culpa que inspira um “fardo do homem branco” em relação ao mundo. Tenho problema com as ações autoindulgentes e autocongratulatórias que acontecem por causa da catarse. Tenho problema com igrejas que promovem viagens missionárias de curto prazo para “ensinar responsabilidade social” aos seus alunos do ensino médio. Tenho problema com organizações cristãs sem fins lucrativos e agências missionárias que se desviam da sua visão e missão por causa de financiamento e relevância. Tenho problema com palestras sobre justiça social que se resumem a “como minimizar o nosso jeito W.A.S.P.”. Tenho problema com o fardo do homem branco e com a nossa democracia capitalista como o ideal para o mundo.

Eu tenho problema com essas coisas, e creio que Deus também tem.

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