“Depois de conduzir para fora todas as suas ovelhas, vai adiante delas, e estas o seguem, porque conhecem a sua voz.” (João 10:4, NVI)
No antigo Oriente Próximo, o pastor costumava conduzir o rebanho, não tocá-lo. O gado pode ser empurrado por trás. As ovelhas seguem uma voz em que confiam. Por isso o pastor caminhava na frente, pelo caminho que esperava que elas tomassem. Era ele quem achava a água primeiro, via o precipício primeiro e encontrava o lobo primeiro.
Jesus usou essa imagem para falar de si mesmo. Antes de descrever qualquer pastor, João 10 descreve Cristo: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10:11, NVI). Ele foi adiante de nós até a cruz e para fora do túmulo. Todo pastor fiel é um subpastor, caminhando por uma trilha que outro já abriu.
Nos Estados Unidos, outubro é o mês de valorização pastoral, e este domingo é dedicado a honrar os pastores. A imagem de João 10:4 nos lembra o que estamos honrando. Não um artista de palco. Não um gerente. Alguém que vai adiante.
1. Ir adiante é entrar primeiro nos lugares difíceis
O lugar do pastor à frente do rebanho não é um lugar de privilégio. É um lugar de exposição. Quem pisa primeiro no terreno incerto é o primeiro a cair.
Quase tudo o que um pastor carrega acontece longe dos olhos: o quarto de hospital às duas da manhã, o telefonema depois de um suicídio, o casamento sustentado em volta de uma mesa de cozinha, o enterro de uma criança. A igreja vê o sermão no domingo. Raramente vê a semana que o produziu.
Paulo nomeia esse trabalho com clareza: “Agora lhes pedimos, irmãos, que tenham consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham” (1 Tessalonicenses 5:12, NVI). Esforçar-se. Liderar. Aconselhar. Nada disso é glamoroso. Tudo isso custa caro.
Costumamos medir pastores pela visibilidade: o tamanho do templo, o alcance da plataforma. As Escrituras os medem pela proximidade: quem estava perto quando o vale escureceu?
2. Ir adiante é liderar pelo exemplo, não pela força
Pedro, a quem Jesus pediu três vezes que cuidasse das suas ovelhas, escreveu aos presbíteros das igrejas: “pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho” (1 Pedro 5:2-3, NVI).
Aqui está o contraste. Não dominação, mas exemplo. Não empurrar, mas conduzir. O pastor que vai adiante não grita lá de trás. Ele percorre o caminho primeiro e convida os outros a segui-lo.
Por isso a fidelidade escondida de um pastor importa tanto quanto seus dons públicos. Ovelhas não seguem um título. Seguem uma voz em que aprenderam a confiar, e a confiança se constrói devagar, em dias comuns, em pequenos atos de integridade que ninguém aplaude.
Quando honramos nossos pastores, honramos essa longa obediência. Anos de presença. Anos pregando o mesmo evangelho às mesmas pessoas, confiando que Deus fará o que nenhum sermão consegue fazer sozinho.
3. Ir adiante é apontar para além de si mesmo
Os melhores pastores sabem que não são o Pastor. Pedro termina sua exortação com uma promessa que mantém todo pastor humilde: “Quando se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória” (1 Pedro 5:4, NVI).
O pastor vai à frente do rebanho, mas sempre atrás de Cristo. O alvo nunca é que as ovelhas sigam o pastor para sempre, mas que aprendam a reconhecer, elas mesmas, a voz do Bom Pastor. “Estas o seguem, porque conhecem a sua voz.”
É também por isso que a igreja não é chamada a idolatrar seus pastores. Honra não é bajulação. Gratidão não é culto à celebridade. Agradecemos aos nossos pastores justamente porque eles nos tiram o foco de si mesmos e nos voltam para Aquele que deu a vida por nós.
Como o rebanho deve responder?
Hebreus dá uma razão marcante para apoiarmos os que nos lideram: “Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês” (Hebreus 13:17, NVI).
Alegria, e não peso. Isso é algo que a igreja pode oferecer. Aqui estão três maneiras de fazer isso nesta semana:
- Seja específico. Escreva ou diga ao seu pastor uma forma concreta como Deus o usou na sua vida: um sermão, uma visita, uma palavra na hora certa. Elogios genéricos passam. Gratidão específica permanece.
- Ore por ele pelo nome. Ore pela alma antes do ministério, e pela família antes da agenda. Muitos pastores estão cansados de maneiras que não podem dizer do púlpito.
- Carregue parte do peso. Pergunte onde você pode servir. O melhor presente para um pastor é um rebanho que começa a pastorear uns aos outros.
A instrução de Paulo continua de pé: “Tenham-nos na mais alta estima, com amor, por causa do trabalho deles” (1 Tessalonicenses 5:13, NVI).
Amados pastores que estão lendo isto: obrigado por irem adiante. Por entrarem primeiro no quarto de hospital, na conversa difícil, na dor que ninguém mais queria tocar. Por permanecerem no caminho quando seria mais fácil desviar. O seu trabalho é visto pelo Supremo Pastor, e a recompensa dele não perece.
E a toda igreja: siga bem. Faça do trabalho deles uma alegria. Depois, olhe além deles, para Aquele a quem eles seguem, e vá aonde ele conduzir.




