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Menos parceiros, mais profundidade: quatro movimentos para uma estratégia de missões

Pense numa reunião comum de comitê de missões. Alguém abre com oração. Alguém distribui a planilha. Depois, 45 minutos vão embora com o pedido de um telhado novo para a escola de um parceiro, o reajuste do sustento de um missionário e uma longa discussão sobre como dividir a oferta do mês de missões. Alguém encerra com oração, e todo mundo vai para casa.

Não há nada de errado nisso. Dinheiro importa. Mas, se o comitê só faz isso, a igreja não tem um comitê de missões. Tem um setor de repasses. E nenhum setor de repasses jamais despertou alguém para as nações.

O problema, na maioria das vezes, não é falta de generosidade. É falta de estratégia. A boa notícia é que estratégia de missões não precisa ser complicada. Ela se resume a quatro movimentos: foco, equilíbrio, uma filosofia escrita em uma página e metas visíveis.

1. Foco: menos parceiros, conhecidos mais de perto

Imagine o mural de missões no corredor de uma igreja. Quarenta cartões de oração pendurados. Cada família recebe uma pequena oferta por mês. Parece generoso. Parece global. Mas pergunte ao comitê: quando foi a última vez que falamos com essas pessoas? Pelo que elas estão orando agora? Se uma delas deixasse o campo sem avisar, alguém perceberia?

Muitas vezes, a resposta honesta é: não sabemos.

É um programa de missões largo e raso como um pires: cobre muito território, mas tem pouca coisa por baixo. E quase nunca acontece de propósito. Acontece um “sim” bem-intencionado de cada vez, até que a lista está longa e os relacionamentos estão fracos.

A Bíblia mostra outro caminho, na carta de Paulo aos filipenses. A igreja de Filipos não era grande nem rica, mas se tornou a parceira mais fiel de Paulo. Escutem como ele descreve essa parceria: “Agradeço a meu Deus toda vez que me lembro de vocês… por causa da cooperação que vocês têm dado ao evangelho, desde o primeiro dia até agora”11. Filipenses 1.3-5, NVI..

“Desde o primeiro dia até agora.” Não foi uma oferta isolada. Foi um relacionamento de anos, sustentado por oração, presença e ofertas. Eles enviaram Epafrodito para ficar ao lado de Paulo. Paulo escreve que os tinha no coração. Ninguém fala assim de um item do orçamento.

A pergunta que fica: se a sua igreja pudesse conhecer muito bem apenas cinco parceiros, quem seriam eles, e por quê?

2. Equilíbrio: círculos, não escada

Com o foco definido, vem a pergunta do mapa: para onde vai o nosso esforço? Pouco antes de subir ao céu, Jesus disse: “serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra”22. Atos 1.8, NVI..

Repare na construção. Jesus não diz: primeiro Jerusalém, depois a Judeia e, quando terminarem lá, Samaria. Ele diz os quatro lugares numa frase só, num único fôlego. Não é uma escada, em que cada degrau espera o anterior. São círculos que se movem ao mesmo tempo, a partir do mesmo centro.

Isso desfaz uma falsa escolha que paralisa muitos comitês: as necessidades daqui ou as nações? Biblicamente, essa não é a pergunta. Se esperarmos terminar Jerusalém para olhar para os confins da terra, nunca vamos olhar, porque as necessidades de Jerusalém nunca acabam. E o erro contrário é igualmente real: uma igreja tão concentrada no distante que nem sabe o nome da escola do outro lado da rua.

E o equilíbrio não é só geografia. É palavra e ação em cada círculo. Como escreveu John Stott, “a ação social é uma parceira do evangelismo”33. John Stott, A Missão Cristã no Mundo Moderno (Ultimato, 2010).. A cesta básica distribuída no bairro e a equipe que planta igrejas entre um povo não alcançado não disputam o orçamento. São duas partes da mesma obediência. (O Joshua Project acompanha esses povos não alcançados: comunidades sem uma igreja local capaz de evangelizá-las sozinhas44. Joshua Project, joshuaproject.net — definição de povo não alcançado..)

3. Uma filosofia em uma página

Foco e equilíbrio precisam ir para o papel. A maioria dos comitês não decide por estratégia: decide por quem pede mais alto ou por quem pede por último. Cada “sim” faz sentido sozinho. Dez anos depois, o orçamento parece aquela gaveta da cozinha onde vai parar de tudo.

Deus disse a Habacuque: “Escreva claramente a visão”55. Habacuque 2.2, NVI.. Uma filosofia de missões é a resposta escrita da igreja para uma pergunta simples: como decidimos? Ela cabe em uma página e responde cinco coisas: o porquê bíblico, onde concentramos a atenção, que parceiros sustentamos (e quais não), como decidimos e qual é o lugar das viagens de curto prazo.

O porquê bíblico merece uma frase de John Piper, das mais conhecidas sobre o assunto: “As missões não representam o alvo fundamental da igreja, a adoração sim. As missões existem porque não há adoração.”66. John Piper, Alegrem-se os Povos (Cultura Cristã, 2000). Quando o comitê se esquece disso, missões viram uma lista de boas causas. Quando se lembra, a lista começa a fazer sentido.

E escrever o que vocês não fazem não é falta de amor. É honestidade, e evita dizer não numa conversa dolorosa atrás da outra. David Mays, que passou anos orientando líderes de missões de igrejas locais, avisa: sem limites escritos, o fundo de missões vira o alvo de todo ministério que não se encaixa em outro lugar77. David Mays, Missions Basics for the Local Church (davidmays.org)..

4. Metas visíveis: fidelidade, não controle

Por fim, a filosofia precisa virar metas que a igreja inteira consiga ver. Alguns desconfiam: definir metas não é coisa de empresa? A Bíblia afirma as duas coisas. “Em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina os seus passos”88. Provérbios 16.9, NVI.. O versículo não diz “não façam planos”. Ele parte do princípio de que vamos planejar, e coloca os nossos planos no lugar certo.

Em palavras simples: uma meta é um ato de fidelidade, não de controle. Quando o comitê define uma meta, está dizendo: cremos que é isto que Deus quer de nós, e queremos ser fiéis nisso. É uma oferta apresentada com as mãos abertas.

O teste de uma boa meta é simples: daqui a um ano, alguém conseguiria dizer se vocês cumpriram? “Queremos ser uma igreja mais missionária” é um desejo maravilhoso, mas não é meta. Ninguém nunca vai saber se chegaram lá.

Juntando tudo

O foco diz onde. O equilíbrio diz até onde. A filosofia diz por quê. E as metas mostram como é a fidelidade neste ano. Quatro movimentos, e o comitê deixa de ser um setor de repasses para ser o que a Bíblia espera dele: o mordomo da missão de Deus na igreja local.

  1. Filipenses 1.3-5, NVI. ↩
  2. Atos 1.8, NVI. ↩
  3. John Stott, A Missão Cristã no Mundo Moderno (Ultimato, 2010). ↩
  4. Joshua Project, joshuaproject.net — definição de povo não alcançado. ↩
  5. Habacuque 2.2, NVI. ↩
  6. John Piper, Alegrem-se os Povos (Cultura Cristã, 2000). ↩
  7. David Mays, Missions Basics for the Local Church (davidmays.org). ↩
  8. Provérbios 16.9, NVI. ↩

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